Eu não tenho forças nessas horas para mudar o padrão de pensamento e sentimento. Sinto-me afundar. Tudo me irrita. Fico excessivamente melindrosa e tenho consciência disto. Gostaria de culpar as outras pessoas pelo meu mal humor, contudo eu sei que o mundo não mudou. Minha cabeça mergulhou novamente na depressão.
Depressão crônica como dizem os médicos. Já se foram quinze anos de tratamento, alguns sucessos. Entretanto ela ainda está aqui como um 'espinho na carne'. Na verdade ela sempre esteve aqui. Lembro do seu rosto na minha infância, de sua intensidade na adolescência, da fúria com que me abateu na juventude e da persistência na idade adulta. É difícil acreditar que não tem cura. A dor psíquica é muito real. Meu corpo começa a sentir os efeitos de tantos anos que tenho passado em sua companhia.
Às vezes penso que não vale a pena manter essa situação. O que para muitos seria suicídio para mim poderia se chamar eutanásia. Mas, eu ainda tenho insistido. Não quero desistir do combate. Quero contar para as pessoas que têm problemas psiquiátricos como os meus que tenho perdido e vencido, porém as vitórias têm sido maiores e me fazem crescer como ser humano. Também quero uma vida comum. Sair do meu quarto, da casa dos meus pais, dirigir, viajar, sei lá, tudo que qualquer pessoa faz. Então me bate o medo e a culpa dizendo que sou um mal ambulante. Quem se achegar a mim vai sofrer muito. Fica difícil pensar. As águas turvas me inundam. Nunca quis ser esse 'mal'. Talvez nem seja tanto assim...rs...
Hoje tenho quarenta anos e ainda estou limitada pela depressão. Estou na luta.
Hoje tenho quarenta anos e ainda estou limitada pela depressão. Estou na luta.


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