A melhor hora do meu dia chega com a noite. Parece que a escuridão carrega um pouco do meu fardo e assim posso ter fé. Rezo muito por mim. Tanto que me questiono se isso é certo. Deveria agradecer mais, no entanto sinto-me muito dolorida. Atravessei o deserto do meio dia e a luz da Lua é alento maternal e altar aonde não sou sacrificada. No meu mundo sagrado construo um casulo quente e confortável.
Estou só. Sinto-me só. Porém, o gosto salgado de meu choro ainda me surpreende.
As horas passam rápido à noite. O tempo é abreviado pelos medicamentos que me dão sono. Queria poder dormir sem eles e ter sonhos de anunciação de nova vida, nova realidade nascendo a cada dia em mim.
