quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A melhor hora do meu dia chega com a noite. Parece que a escuridão carrega um pouco do meu fardo e assim posso ter fé. Rezo muito por mim. Tanto que me questiono se isso é certo. Deveria agradecer mais, no entanto sinto-me muito dolorida. Atravessei o deserto do meio dia e a luz da Lua é alento maternal e altar aonde não sou sacrificada. No meu mundo sagrado construo um casulo quente e confortável.
Estou só. Sinto-me só. Porém, o gosto salgado de meu choro ainda me surpreende.
As horas passam rápido à noite. O tempo é abreviado pelos medicamentos que me dão sono. Queria poder dormir sem eles e ter sonhos de anunciação de nova vida,  nova realidade nascendo a cada dia em mim.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Tarde

A tarde mal começou e já tornou-se insuportável. É a claridade que nao combina com meus olhos pesados e sensíveis. O agito da cidade briga com minha lentidão. Leve sono chega para arrancar o ultimo pedacinho de disposição. Sinto-me mal, culpada, retrocedendo diante do ponto de partida.
Estou no meu quarto e ele me parece prisão. Tantas tralhas ocupando o que deveriam ser espaços livres. Meu olhar sofre  com a desordem.
As pessoas estão no vai e vem da vida; maluca ou não, sempre sugando o tempo de todos. Menos o meu. Minha vida agora está sem serventia. Chego quase a não atrapalhar de tao prostrada  que estou.
Tenho tantas pílulas coloridas aqui, entretanto nenhuma parece capaz de restaurar meu equilíbrio e bem estar. Depressão e euforia duelam em  mim deixando-me exausta e confusa, ansiosa e angustiada, agitada, mas sem energia. 

 
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