segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Acídia em Bosch

O pecado da Acídia na visão de Hieronymus Bosch.


"A acídia é definida por Tomás de Aquino como uma tristeza relacionada aos bens interiores do homem, aos bens do espírito. Lauand (2004, p. 69), analisando a formulação de Tomás de Aquino, afirma: 
[...] é aquela tristeza modorrenta do coração que não se julga capaz de realizar aquilo para que Deus criou o homem. Essa modorra mostra sempre sua face fúnebre, onde quer que o homem tente sacudir a ontológica e essencial nobreza de seu ser como pessoa e suas obrigações e sobretudo a nobreza de sua filiação divina: isto é, quando repudia seu verdadeiro ser!"

Disponível no artigo de NUNES, Meire Aparecida Lóde e OLIVEIRA, Terezinha. A ACÍDIA NA ARTE DE HIERONYMUS BOSCH: UMA POSSIBILIDADE DE COMPREENSÃO DA EDUCAÇÃO NA BAIXA IDADE MÉDIA 

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Primeiro de dezembro de 2015

O ano já está no fim. O que foi feito dos meus 300 e tantos dias? Alternâncias de humor diárias não me deram chance de fazer muita coisa. É claro que eu sei que há procrastinação e desistência - características que se acentuaram com os transtornos. Eu me sinto vazia, culpada e coitada. Péssimos e medíocres sentimentos.

Fico muito pensativa no final do ano. Tenho medo, vergonha do que sou e do que não sou. Ter feito quarenta anos e estar tão acima do peso não ajudam em nada.
Não quero morrer, mas não quero viver assim.
Parece que hoje será um daqueles dias mórbidos, famintos, sonolentos, pesados, com leve, mas constante dorzinha de cabeça. Talvez à noite eu melhore. Talvez não. Meu cabelo está incrivelmente sujo, pois não tenho forças para lava-lo. Parece mentira. Preguiça.
É Acídia, meu demônio.
Preciso do meu Anjo da guarda. 

domingo, 22 de novembro de 2015

Mais um dia de angústia


Ontem, sábado, foi difícil. Tive angústia o dia todo, especialmente à noite. Precisei tomar mais ansiolítico do que gostaria. Tentei pensar coisas boas, inventar histórias felizes, imaginar que estava em lugares agradáveis, mas minha mente parecia decidida a não sair da angústia, da catástrofe, do medo etc.
Eu não tenho forças nessas horas para mudar o padrão de pensamento e sentimento. Sinto-me afundar. Tudo me irrita. Fico excessivamente melindrosa e tenho consciência disto. Gostaria de culpar as outras pessoas pelo meu mal humor, contudo eu sei que o mundo não mudou. Minha cabeça mergulhou novamente na depressão.
Depressão crônica como dizem os médicos. Já se foram quinze anos de tratamento, alguns sucessos. Entretanto ela ainda está aqui como um 'espinho na carne'. Na verdade ela sempre esteve aqui. Lembro do seu rosto na minha infância, de sua intensidade na adolescência, da fúria com que me abateu na juventude e da persistência na idade adulta. É difícil acreditar que não tem cura. A dor psíquica é muito real. Meu corpo começa a sentir os efeitos de tantos anos que tenho passado em sua companhia.
Às vezes penso que não vale a pena manter essa situação. O que para muitos seria  suicídio para mim poderia se chamar eutanásia. Mas, eu ainda tenho insistido. Não quero desistir do combate. Quero contar para as pessoas que têm problemas psiquiátricos como os meus que tenho perdido e vencido, porém as vitórias têm sido maiores e me fazem crescer como ser humano. Também quero uma vida comum. Sair do meu quarto, da casa dos meus pais, dirigir, viajar, sei lá, tudo que qualquer pessoa faz. Então me bate o medo e a culpa dizendo que sou um mal ambulante. Quem se achegar a mim vai sofrer muito. Fica difícil pensar. As águas turvas me inundam. Nunca quis ser esse 'mal'. Talvez nem seja tanto assim...rs...
Hoje tenho quarenta anos e ainda estou limitada pela depressão. Estou na luta.

sábado, 21 de novembro de 2015

Eckhart Tolle - Sofrimento e não sofrimento

Praticamente todos os dias, eu tento alimentar-me de boas palavras. Não tenho apego às religiões, mas a espiritualidade tem efeito sobre minha vida. Sinto que preciso parar de me identificar com dores e situações consideradas difíceis. É como se uma pequena parte do que sou tentasse dominar meu infinito - sei que para muitas pessoas esse "infinito" não diz nada. Mesmo assim vou mante-lo. Quem sabe traduzir por transcendência que para outros tantos não diz nada com nada. Paciência. Uma vez eu tive a oportunidade de conversar com um mestre budista e fui logo falando dos meus diagnósticos psiquiátricos e perguntando como devia fazer para viver apesar disso. A resposta dele não podia ser mais simples e resumida da seguinte maneira: VOCÊ É MUITO MAIS QUE TUDO ISSO.
Não sei com ser "muito mais do que tudo isso", mas sigo acreditando que nos meus melhores dias não penso sobre quem sou. Não me delimito. Então a vida escorrega fácil e de forma indolor.



sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A Operação da Pedra - A Cura da Loucura de Hieronymus Bosch


Pintura de Hieronymus Bosch

"À primeira vista, esta parece uma operação comum, senão perigosa, sendo curiosamente realizada ao ar livre por um cirurgião trajando um funil na cabeça como chapéu. A grande e ornada inscrição que envolve a pintura diz: 'Mestre, extirpe a pedra. Meu nome é Lubbert Das'. Era crença comum na época de Bosch que uma operação para remover uma pedra da cabeça do paciente curaria sua loucura inerente. O nome Lubbert era aplicado àqueles que possuíam um grau incomum e identificável de loucura. O que emerge, entretanto, não é uma pedra, mas uma flor, e outra do mesmo tipo pode ser vista sobre a mesa. Estas foram identificadas como tulipas, que traziam consigo a conotação de insensatez. As figuras do  sacerdote e da freira não foram explicadas, mas o livro fechado sobre a cabeça da freira e o funil são símbolos,, respectivamente, da futilidade do conhecimento ao lidar com a loucura humana e da fraude de um falso médico."
Extraído do livro Vida e obra de Hieronymus Bosch de Trewin Copplestone. Editora Ediouro.

Bad Ttrip


Pintura de Lori Anne Yang


Surpreendo-me com o que está diante de mim.
Vejo horror e trevas nos poemas de minha vida.
Sonho sonhos para recuperar o meu corpo ou algo além perdido e que nem sei.
Retiro dia-a-dia pedaços da minha presença, fresca, da boca da depressão.
Tento me livrar dos deuses da imposição.
Clamo para minha vida renovar-se e encontrar novos caminhos, mas tenho medo de meus pés.
Desfaleço-me com a dor física e rebelo-me com a dor psíquica. Espero por proteção.
Sinto-me caindo sem controle e percebo que a ausência e o abandono afetam meus sentidos e percepções da vida. E a vida ainda arde e até grita. Eu não quero ouvir seus gritos. 
Não era para ser assim! A vida não é para estar assim!
Mas não há respostas. Apenas há a sensação de que quando chega-se ao fim, a dor só começou.
Eu não aceito. Não aceito! E pago por isso.
Rê Teles.


Livros:


  • A Mente Vencendo o Humor (Dennis Greenberger)
  • Bipolaridade e Temperamento Forte (Diogo Lara)
  • Da Psicose Maníaco-Depressiva ao Espectro Bipolar (Ricardo e Doris Moreno)
  • Dentro da Chuva Amarela (Walter Moreira)
  • Digerindo a Bipolaridade (Alexandre Fiúza)
  • Enigma Bipolar (Teng Chei Tung)
  • Não sou uma só: o Diário de uma Bipolar (Marina W.)
  • O Brilho de sua Luz (Danielle Steel)
  • O Demônio do Meio-dia (Andrew Solomon)
  • O Modelo de Medo e Raiva para Transtornos de Humor, de Comportamento e da Personalidade (Diogo Lara)
  • Perturbação Bipolar – Guia para Doentes suas Famílias (Francis Mondimore)
  • Quando a Noite Cai – Entendendo o Suicídio (Kay Redfield Jamison)
  • Touched wih Fire (Kay Redfield Jamison)
  • Transtorno Bipolar: Tratamento pela Terapia Cognitiva (Vários autores)
  • Uma Viagem entre o Céu e o Inferno (Luiz Humberto Leite Lopes)
  • Uma Mente Inquieta (Kay Redfield Jaminson)
  • Um Bipolar que deu Certo (João Henrique Machado de Ávila)
  • Enigma Bipolar (Teng Chei Tung)
  • Duas Faces de uma Vida (Lana R. Castle)

Filmes:


- "As Horas" (Stephen Daldry)
– "Mr. Jones" (Mike Figgis) Assistir
– "The Secret Life of the Manic Depressive" (Stephen Fry)



http://opiniaoenoticia.com.br/cultura/livros-e-filmes-sobre-transtorno-afetivo-bipolar/

terça-feira, 10 de novembro de 2015

O escritor do livro O Demônio do Meio Dia, Andrew Solomon diz algo interessante: "o oposto da depressão não é a felicidade, mas sim a vitalidade". Fiquei pensando nisso e acredito que ele está certo.
Todos nós, depressivos ou não precisamos descobrir o que nos faz feliz. Faz parte da evolução humana buscar e quem sabe, encontrar, esse estado de graça chamado felicidade. Mas na depressão ficamos sem energia para viver. Como ser feliz? Somos tidos como preguiçosos, folgados, bagunceiros, molengas, sem iniciativa. O que a sociedade precisa entender e nós portadores do transtorno é que perda da disposição para viver até aquilo que antes nos dava prazer é sintoma da depressão. 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Prostração

Dias de forte sensação de tédio. Nem minha imaginação consegue ser interessante.
Não consigo fazer nada. Estou entregue às horas e à compulsão por doces.
Se saio na rua tenho medo de chatear as pessoas. Minha expressao facial é pesada e obscura. Não é agradável encontrar alguém assim em seu caminho.
Logo farei aniversário e torço para esse mal estar ter muito de inferno astral. Além do mais está próximo o fim do ano. Nunca é fácil passar por ele. Gostaria de ficar longe da cidade, mas a situação financeira me priva de tudo.

terça-feira, 3 de novembro de 2015


Precisando acreditar em milagres.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A melhor hora do meu dia chega com a noite. Parece que a escuridão carrega um pouco do meu fardo e assim posso ter fé. Rezo muito por mim. Tanto que me questiono se isso é certo. Deveria agradecer mais, no entanto sinto-me muito dolorida. Atravessei o deserto do meio dia e a luz da Lua é alento maternal e altar aonde não sou sacrificada. No meu mundo sagrado construo um casulo quente e confortável.
Estou só. Sinto-me só. Porém, o gosto salgado de meu choro ainda me surpreende.
As horas passam rápido à noite. O tempo é abreviado pelos medicamentos que me dão sono. Queria poder dormir sem eles e ter sonhos de anunciação de nova vida,  nova realidade nascendo a cada dia em mim.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Tarde

A tarde mal começou e já tornou-se insuportável. É a claridade que nao combina com meus olhos pesados e sensíveis. O agito da cidade briga com minha lentidão. Leve sono chega para arrancar o ultimo pedacinho de disposição. Sinto-me mal, culpada, retrocedendo diante do ponto de partida.
Estou no meu quarto e ele me parece prisão. Tantas tralhas ocupando o que deveriam ser espaços livres. Meu olhar sofre  com a desordem.
As pessoas estão no vai e vem da vida; maluca ou não, sempre sugando o tempo de todos. Menos o meu. Minha vida agora está sem serventia. Chego quase a não atrapalhar de tao prostrada  que estou.
Tenho tantas pílulas coloridas aqui, entretanto nenhuma parece capaz de restaurar meu equilíbrio e bem estar. Depressão e euforia duelam em  mim deixando-me exausta e confusa, ansiosa e angustiada, agitada, mas sem energia. 

 
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