quinta-feira, 9 de julho de 2009

LONGOS DIAS

Dias de depressão são dias perdidos.
Basicamente estou de cama faz duas semanas, embora venho alternando crises desde fevereiro de 2009. Esse ano eu já me autoflagelei cortando diversas partes do meu corpo com agulha. Nisso não há beleza alguma. Tratá-se de uma angústia tão violenta que a dor física parece ser mais suportável. Mas, ela não é. Passado os momento de suplício é martirizante ver meu corpo machucado e a angústia ainda ali.
À noite sigo acompanhada pela insônia, companheira fiel. Disposta a me exaurir com tantos pensamentos, são tantas idéias e inquietações. Tento trabalhar com essas idéias, mas elas são mais rápidas que um raio. Então começo mil coisas e não termino nenhuma.
Quando o dia amanhece não escapo da exaustão. Revejo todas os caminhos que minha mente percorreu e todos me parecem absolutamente ridículos. Cada frase escrita, cada esboço de desenho, todas as soluções. É a hora da frustração. Eu lamento por minha mente e seus deslizes sem fim.
A minha depressão rouba minhas manhãs que tanto amo: o cheiro da manhã, só quem não tem, sabe da riqueza do aroma do que está nascendo. Se ainda não dormi, a manhã fará de mim um ser ainda mais irritante e impaciente. Odeio a voz humana e seus assuntos matinais. A luz agride meus olhos. É tudo tão decepcionante. Poucos podem entender. Então vêm os remédios e a angústia querendo romper meu estômago, a sensação de fracasso. Mas, algumas gotas das drogas medicinais fazem-me dormir. Sei que vou acordar sem rumo, zonza, a cabeça nebulosa, os sentidos atrapalhados, passos confusos, antecipando uma tarde mórbida e sonolenta e, por mais coisas urgentes que tenho a fazer, nada será mais urgente do que a dificuldade de viver.
Os dias passam lentos para um depressivo. Horas lentas que matam de forma consciente suas vítimas. Sabemos que estamos fracassando: é o trabalho que não damos conta, os filhos que nos irritam e são incapazes de assimilar a doença, amigos que não aguentam nossa "instabilidade emocional", o amor que não nos fortalece e o sexo que se perdeu num dia acinzentado.
Por mais que eu diga que não suporto mais, sempre há mais um dia a viver.
A vida tem um jogo próprio e minhas dores são somente minhas. O mundo não parará de girar por minha depressão.
Quando posso respiro fundo eu sonho. Sonho coisas completamente disparatadas da realidade. Sonho com o que não tenho. Sonho com o que não sou. Canto "Non je ne regrette rien" de Edith Piaf e dou rodopios pela sala chorando. Talvez ninguém entenda isso. Mas, eu estou tentando não morrer. Não quero perder meus sonhos, pois já me perdi demais. Não sei mais o que fazer.
Não quero perder meus dias.

0 comentários:

 
© 2008 *By Templates para Você*